O “Efeito Avancini” e o Vazio no Topo do Pódio

É inegável que Henrique Avancini carregou o esporte nas costas em termos de mídia de massa. Ele colocou o mountain bike brasileiro no topo do ranking da UCI, na grade da TV aberta e atraiu grandes patrocinadores que antes nem sabiam o que significava “XCO” (Cross-Country Olímpico).

Quando ele se despediu do alto rendimento, ficou um vazio óbvio de idolatria. Atletas talentosos como Ulan Galinski e Gustavo Xavier assumiram o bastão e continuam representando o país em altíssimo nível, mas construir o apelo midiático que Avancini tinha leva tempo.

Se olharmos para o ciclismo apenas sob a ótica de audiência na TV ou de títulos mundiais na elite masculina, pode parecer que o ritmo diminuiu. Mas o verdadeiro termômetro do esporte não está apenas no pódio — está nas ruas, nas estradas e nas trilhas.

O Mercado e as Planilhas Dizem o Contrário

Os dados mais recentes mostram que a base de praticantes e o mercado continuam pedalando forte. O ciclismo não encolheu; ele se descentralizou e abraçou novas vertentes.

  • Crescimento no Amadorismo: Pesquisas de plataformas de inscrições (como a Ticket Sports) mostram um aumento constante no número de participantes em eventos de ciclismo, triatlon e corridas de rua. O atleta amador continua consumindo, treinando e competindo.
  • A Explosão das e-Bikes: Segundo dados da Abraciclo, o mercado fechou em alta e projeta mais crescimento na produção de bicicletas. O grande destaque fica por conta das bicicletas elétricas, cuja produção disparou, atraindo um público totalmente novo que usa a bike tanto para mobilidade quanto para o lazer esportivo.
  • Crossover de Modalidades: O triatlon e o ciclismo de estrada ganharam um fôlego absurdo com a popularização do Gravel — uma mistura de estrada com terra que virou febre entre quem quer fugir do trânsito perigoso das grandes cidades sem perder a performance.

O Legado de Avancini Virou Fundação

A maior vitória de Henrique Avancini não foi o título mundial de 2018 ou de 2023, mas sim a estrutura que ele deixou. Hoje, o Brasil tem equipes profissionais mais estruturadas, organizadores de provas locais que aprenderam a fazer eventos com padrão internacional (como a Copa do Mundo em Petrópolis e Araxá) e uma comunidade que já entende a cultura do ciclismo.

O esporte não dependia do Avancini para existir; ele dependia dele para ser descoberto. Agora que foi descoberto, caminha com as próprias pernas.

O Veredito: O Ciclismo Apenas Mudou de Marcha

Se você gerencia uma planilha de treinos de triatlon, se divide entre a corrida e os pedais no fim de semana, ou se rasga as trilhas de MTB, já deve ter percebido: as assessorias esportivas continuam cheias. O ciclismo brasileiro não está decaindo; ele está amadurecendo. Saímos da era de torcer por um único herói para entrar na era em que nós somos os protagonistas do esporte nas estradas e trilhas.

E você, sentiu alguma mudança na energia dos pelotões e das competições na sua região após a aposentadoria do Avancini? Deixe seu comentário aqui embaixo!

Este vídeo da coletiva de imprensa Avancini Anuncia Aposentadoria traz as palavras do próprio atleta explicando sua decisão histórica e ilustra o marco que dividiu as águas no esporte nacional.